A lesão de isquiotibiais é uma das causas mais frequentes de dor na parte posterior da coxa, principalmente entre atletas e pessoas fisicamente ativas.
Esses músculos têm papel essencial na flexão do joelho e na extensão do quadril, o que os torna constantemente exigidos em esportes que envolvem corrida, salto ou mudanças bruscas de direção.
Quando ocorre um estiramento ou ruptura dessas estruturas, o paciente sente dor imediata, limitação dos movimentos e, em alguns casos, precisa interromper totalmente suas atividades.
O que é a lesão de isquiotibiais?
Os isquiotibiais são um grupo de músculos localizados na parte posterior da coxa, responsáveis principalmente pela flexão do joelho e pela extensão do quadril.
Eles são formados por três músculos principais: bíceps femoral, semitendíneo e semimembranoso, todos originados na tuberosidade isquiática da pelve e inseridos na tíbia e fíbula, na região posterior do joelho.
A lesão dos músculos isquiotibiais ocorre quando o músculo é esticado além de sua capacidade normal, resultando em uma ruptura parcial ou completa da unidade musculotendínea.
Essa condição é relativamente comum e representa cerca de 30% das lesões esportivas, sendo observada com maior frequência em atletas que praticam esportes de alta intensidade, como futebol, atletismo e corrida.
Além dos isquiotibiais, outros grupos musculares frequentemente acometidos por lesões são os quadríceps e os adutores.
A lesão pode ser classificada de acordo com o grau de comprometimento:
- Grau I: pequena ruptura estrutural na junção miotendínea;
- Grau II: ruptura parcial, com algumas fibras ainda íntegras;
- Grau III: ruptura completa da unidade miotendínea;
- Grau IV: fratura-avulsão da origem muscular, mais prevalente em pacientes jovens com esqueleto ainda imaturo.
Quais são as principais causas da lesão de isquiotibiais?
Normalmente, a lesão ocorre durante uma contração excêntrica, isto é, quando o músculo tenta frear um movimento enquanto é alongado, o que gera forças maiores do que nas contrações concêntricas.
Essa situação é comum em ações rápidas de corrida, salto ou chutes.
Entre as causas mais comuns da lesão dos isquiotibiais, destacamos:
- Esforço excessivo ou movimento brusco;
- Falta de preparo físico adequado antes do exercício;
- Desequilíbrios musculares (principalmente entre quadríceps e isquiotibiais);
- Falta de alongamento e encurtamento muscular;
- Postura inadequada e técnica incorreta durante a prática esportiva;
- Fadiga muscular e ausência de tempo de recuperação entre os treinos.
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Quais os sintomas da lesão de isquiotibiais?
Os sintomas variam conforme o grau da lesão, mas geralmente o paciente sente uma dor súbita e aguda na parte posterior da coxa, muitas vezes descrita como um “estalo” no momento da lesão.
Os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- Dor intensa no quadril ou na parte posterior da coxa;
- Inchaço e formação de hematoma na região;
- Dificuldade para movimentar a perna ou dobrar o joelho;
- Restrição de mobilidade e rigidez muscular;
- Queda no rendimento físico durante as atividades;
- Em casos mais graves, retração muscular e deformidade visível.
A dor tende a piorar nos dias seguintes, e em alguns casos, o paciente pode apresentar dificuldade para apoiar a perna lesionada.
Como realizamos o diagnóstico da lesão de isquiotibiais?
Após a suspeita diagnóstica, o exame físico é o primeiro passo, nos permitindo avaliar o ponto exato da dor, a presença de hematomas e a limitação dos movimentos.
Entre os exames de imagem, costumamos indicar a ressonância magnética, que oferece uma visão detalhada da extensão e localização da lesão.
Também podemos utilizar a ultrassonografia musculoesquelética, especialmente em casos agudos e para acompanhamento da evolução do tratamento.
A classificação do grau da lesão é fundamental, pois define o tempo de recuperação e o tipo de tratamento a ser seguido.
Qual o tratamento para a lesão de isquiotibiais?
O tratamento depende do grau da lesão, da idade do paciente e do nível de atividade física.
Nas lesões leves e moderadas, o tratamento conservador é o mais indicado e inclui:
- Repouso da região afetada;
- Aplicação de gelo nas primeiras 48 a 72 horas para reduzir o inchaço e a inflamação;
- Uso de analgésicos e anti-inflamatórios sob prescrição médica;
- Evitar alongamentos e movimentos dolorosos na fase aguda;
- Fisioterapia para recuperar força, flexibilidade e função;
- Tratamento por ondas de choque, em casos selecionados, para estimular a regeneração muscular.

Após a fase inflamatória, o paciente deve iniciar movimentos controlados e exercícios isocinéticos, que promovem a regeneração do tecido muscular e evitam a formação de fibrose.
O tratamento cirúrgico pode ser necessário em casos mais graves, especialmente quando há ruptura completa ou afastamento superior a 3 cm entre as extremidades lesionadas.
A cirurgia tem como objetivo reconectar o músculo ou tendão e restaurar sua função.
Quanto tempo leva a recuperação da lesão?
O tempo de recuperação depende do grau da lesão, do tratamento realizado e da adesão à fisioterapia. Em média:
- Grau I: 1 a 3 semanas;
- Grau II: 4 a 8 semanas (podendo chegar a 10 semanas);
- Grau III e IV: de 3 a 6 meses, dependendo da necessidade de cirurgia e reabilitação.
Durante a reabilitação, o retorno às atividades físicas deve ser gradual e supervisionado, evitando recaídas e novas rupturas.
Como prevenir novas lesões nos isquiotibiais?
A prevenção das lesões nos isquiotibiais deve ser parte essencial do treinamento físico.
Entre as principais medidas preventivas estão:
- Fortalecimento muscular, especialmente dos isquiotibiais e glúteos;
- Alongamentos regulares, melhorando a flexibilidade e o equilíbrio entre os grupos musculares;
- Treinos excêntricos, como o Nordic Hamstring Exercise, comprovadamente eficazes na prevenção de novas lesões;
- Aquecimento adequado antes das atividades esportivas;
- Correção da postura e da técnica durante o exercício;
- Hidratação adequada e descanso entre os treinos para evitar fadiga muscular.
Manter um programa de condicionamento físico equilibrado e supervisionado por profissionais de saúde e educação física é fundamental para reduzir o risco de recorrência.
Além disso, reforçamos que a avaliação com o ortopedista especialista em quadril e lesões musculares é fundamental para identificar o grau da lesão e indicar o tratamento mais apropriado.
Agende sua consulta com o Dr. Ricardo Kirihara para receber uma avaliação completa e um plano de tratamento personalizado.
Dessa forma, será possível retornar às suas atividades com segurança e qualidade de vida.













